Centavo vs. Cêntimo

O ponto da situação

A entrada em circulação do euro, introduziu no uso quotidiano dos portugueses, uma palavra que, não sendo recente, não ocorria com a frequência que hoje lhe conhecemos: trata-se da palavra cêntimo, que designa a centésima parte de um euro.

A entrada desta palavra, associada ao euro, causou alguma confusão entre os falantes, dado que a centésima parte do escudo sempre foi designada, em português padrão, por centavo.

O que distingue e o que aproxima as duas palavras?

Consultando os dicionários disponíveis, verifica-se que ambas as palavras existem na língua portuguesa, nas suas variantes portuguesa e brasileira, há largo tempo.
Do ponto de vista da sua origem, centavo é uma palavra composta em português, constituída por cento e por avo (palavra que, associada a um numeral cardinal superior a dez, permite construir o nome de uma parte; exs.: um doze avos, dois dezasseis avos - em geral, junta-se avo aos cardinais entre doze e dezanove). No caso particular de centavo, verifica-se a aglutinação dos dois constituintes do composto: cent(o)avo.

O significado básico de centavo é, portanto, “centésima parte”, sendo sinónimo do termo centésimo; é por especificação da sua referência que centavo passa a designar, especificamente, a centésima parte da moeda de vários países (do escudo e do real, nomeadamente - já antes do cruzado e do cruzeiro, no caso do Brasil).
Cêntimo, por seu turno, é uma palavra importada do francês, que, desde a origem, designou “a centésima parte do franco”.

Porquê a adopção de cêntimo em relação ao euro?

Considerando as duas hipóteses disponíveis na língua, a escolha de centavo seria a mais adequada se se optasse por manter a forma mais vernácula. Porém, de acordo com a Comissão Nacional do Euro, a adopção do termo cêntimo, termo cognato do usado nas restantes línguas, teve como objectivo promover uma maior uniformização das denominações associadas à moeda única europeia, critério que, do ponto de vista estritamente terminológico, parece legítimo.

Margarita Correia
Janeiro de 2002

» voltar