Benchmarking
– Aferição
De
acordo
com o Oxford English Dictionary,
benchmark é um
nome
que designa, na
sua
primeira acepção,
um padrão
ou um
ponto de referência
e, na segunda
acepção, uma marca
feita
numa parede e usada
como
ponto de referência
na medição de altitudes («1
a standard or point of
reference.
2
a surveyor’s mark cut in a wall and used as a reference point in
measuring altitudes»).
No
que
se refere aos dicionários gerais de língua
portuguesa, o Dicionário
Houaiss da Língua Portuguesa (Temas
e Debates, 2003) regista este termo como sendo pertencente ao
domínio
do Marketing e define-o como um «processo de avaliação da empresa em relação à concorrência, por
meio do qual
incorpora os melhores desempenhos de outras firmas
e/ou aperfeiçoa os
seus
próprios métodos».
O termo benchmarking
encontra-se também atestado
no Grande
Dicionário
da Língua Portuguesa (Porto
Editora, 2004), sendo apresentado como um termo do Marketing
e definido
como
o «processo por
meio do qual
uma empresa reproduz
desempenhos
bem sucedidos de outras
empresas
numa determinada
área
de actividade». Estranhamente,
o termo não tem entrada no Dicionário
da Língua Portuguesa Contemporânea (Verbo,
2001), que foi
muito
contestado precisamente por incluir muitos anglicismos na sua
nomenclatura.
Fazendo uma
consulta no motor de busca
Google, para
páginas
de Portugal, e centrando a nossa análise nos sítios de entidades
oficiais fidedignas, verifica-se que o termo
benchmarking
não ocorre apenas
no domínio do
Marketing,
mas em
diferentes
domínios
de especialidade (Informática,
Multimédia, Engenharia, Política Económica, Ciências
Sociais, etc.), funcionado como um termo genérico para designar uma situação de avaliação de
determinada
entidade (empresa,
mas também
software, sítio
Web, processo,
desempenho,
instituição, etc.)
por
comparação com
outra(s)
entidade(s) congénere(s). Não é, por isso, de estranhar que o único glossário português em que tenhamos
encontrado equivalentes portugueses para
benchmarking seja o Glossário
da Sociedade de Informação,
que propõe avaliação comparativa e análise
comparativa.
Prosseguindo a nossa pesquisa,
verificamos que as
expressões
avaliação comparativa e análise comparativa
são, de facto,
propostas
como equivalentes deste termo inglês, em documentos
pertencentes aos mesmos
domínios
de especialidade
em
que ocorre benchmarking. Mas, além
destes termos, encontramos, ainda, o equivalente aferição,
sobretudo em
sítios
governamentais
e em
textos
relativos à União
Europeia.
Destas
três
possibilidades, a que ocorre com mais
frequência em
textos
é análise
comparativa,
seguida, de muito
longe, de aferição. Avaliação comparativa tem uma frequência de ocorrência muito
baixa.
Em
línguas
estruturalmente próximas da nossa,
os termos adoptados foram
semelhantes
a dois dos que
detectámos para o
português
europeu: evaluación comparativa para o espanhol; evaluació
comparativa
para o catalão;
analyse comparative para o francês.
Tendo
em
conta o conteúdo
semântico de
análise comparativa,
aferição e avaliação comparativa,
os três termos
podem, de facto, do ponto de
vista
estritamente linguístico,
ser
considerados bons
equivalentes de benchmarking. No
entanto, se tivermos em
conta
a sua
implantação, avaliação
comparativa fica
excluído pelo
seu baixo
índice de
ocorrência.
Ao
cotejar
os termos aferição e
análise comparativa (e ainda
que este
último termo português se encontre já
registado no Glossário
da Sociedade de Informação), verificamos
que
aferição apresenta como grande vantagem o facto de ser sintético (uma só
palavra), podendo
aceitar
com facilidade
a junção de outras
palavras
ou expressões
que permitam a
especificação
do seu
significado, se necessário.
Além
disso, aferição é uma palavra vernácula,
transparente e que,
em língua
corrente, apresenta um
significado
perfeitamente
compatível com
aquele que
se pretende expressar no
domínio
em causa.
Por todas as razões expostas, a AiT recomenda a adopção do
termo
aferição como
equivalente português
para
benchmarking.
Margarita
Correia
Mafalda
Antunes
Março de 2007
|